terça-feira, 28 de abril de 2015

Navegante

Lá estava ela, de frente pro rio. O sol que batia no seu rosto aos poucos foi contornando a curva do seu corpo, marcando o tempo. Já era hora, ela sabia, mas a vontade de ficar tomava-lhe o desejo. Vento frio, água em frente, corpo inerte na beleza que apenas "era". O barulho do motor do barco e seu movimento acompanhando o fluxo lembrava: "sempre em frente, nunca pra trás".





Corpo sigilo


Um grito mudo quebra o sigilo, é preciso falar! Aos poucos as dores pesadas que vestiam aquele corpo tomam forma. No espelho, a imagem paralisada da menina nua, com cabelos longos e leves que se deixam levar pelo vento em movimentos de liberdade, faz chorar. Linda imagem reflexa, projetada por um corpo preso, mudo, sigiloso. Não se pode contar, é preciso guardar o que viveu, como algo sujo. A palavra é proibida, as frases que compunham a história aos poucos vão perdendo-se no tempo que corre apressadamente, mas vez ou outra o tropeço faz lembrar: é preciso falar! Então aqui está ela, de frente pro espelho, contemplando a beleza da menina nua, lembrando que esse corpo ainda está vestido com peso.

sábado, 6 de setembro de 2014

O grande desafio é pôr no papel algo tão autêntico que traduza com exatidão tudo que se sente, pensa, ou sente pensar. Não consigo.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

A ressaca

Muito pior por lembrar do que disse, mas o que disse também é parte do que sou, do que quero. Muito pior por assumir o peso sóbrio do que disse.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Hoje convencionou-se ser o dia do homem. Então, por pura admiração, quero dar minha contribuição ao dia. Levei um tempo pra descobrir a beleza do homem. Isso porque parece-me que a poética feminina é mais ressaltada dentro de versos, ou se encaixam melhor entre as estrofes que falam do seu cheiro, da sua fragilidade, da mãe, da mulher contemporânea. O homem é mais quadrado e não entra tal facilmente nas estrofes. Eis, então, do que gosto. Gosto dos ombros largos, das barbar mal-feitas, do suor. Gosto do jeito simples, das decisões fáceis, das coisas retas. Homem tem um jeito tão mais fácil de lidar com a vida.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Dei uma olhada rápida pro seu pulso, enquanto falava do quanto o último jogo da seleção mexeu comigo, e vi que usávamos a mesma pulseira. Não é surpresa pra mim que nós fossemos parecidas em alguma coisa, há duas sessões de terapia caminhávamos no mesmo ritmo.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Mostrar-se

Não sei ao certo se é esta a denominação para o movimento que ando vivenciando. Talvez eu pudesse escolher outros títulos tão verdadeiros quanto. Olhar-se. Descobrir-se. Compreender-se. Expressar-se. O fato é que ando me compreendendo mais, desvelando-me. Sei o que quero, como quero, a intensidade que quero. Desejo a liberdade do semi-nu, porque também não quero o nu. Desejo o desejo do outro, mas só se ele me desejar por seu próprio querer. Não o quero por pressão, por cálculos. Quero observar o movimento da onda, e entrar nela, se ela me quiser também. A natureza também tem desejo. Quero a montanha russa, a lupa de visão sensível, a cachoeira, a flor rosa e amarela. Sou tudo isso.