Olhei pra ele, garoto alto, magro, com porte de garoto novo. Tinha na ponta da cabeça, cabelos que se alinhavam em cachos. Tinha um sorriso fácil, e quando sorria mostrava toda a vontade de alegria de palhaço.
É sobre ele que quis escrever, colocar no papel. Mas, fora o jeito que era e se comportava o que teria pra dizer?
terça-feira, 19 de maio de 2015
terça-feira, 28 de abril de 2015
Navegante
Lá estava ela, de frente pro rio. O sol que batia no seu rosto aos poucos foi contornando a curva do seu corpo, marcando o tempo. Já era hora, ela sabia, mas a vontade de ficar tomava-lhe o desejo. Vento frio, água em frente, corpo inerte na beleza que apenas "era". O barulho do motor do barco e seu movimento acompanhando o fluxo lembrava: "sempre em frente, nunca pra trás".
Corpo sigilo
Um grito mudo quebra o sigilo, é preciso falar! Aos poucos as dores pesadas que vestiam aquele corpo tomam forma. No espelho, a imagem paralisada da menina nua, com cabelos longos e leves que se deixam levar pelo vento em movimentos de liberdade, faz chorar. Linda imagem reflexa, projetada por um corpo preso, mudo, sigiloso. Não se pode contar, é preciso guardar o que viveu, como algo sujo. A palavra é proibida, as frases que compunham a história aos poucos vão perdendo-se no tempo que corre apressadamente, mas vez ou outra o tropeço faz lembrar: é preciso falar! Então aqui está ela, de frente pro espelho, contemplando a beleza da menina nua, lembrando que esse corpo ainda está vestido com peso.
sábado, 6 de setembro de 2014
quinta-feira, 17 de julho de 2014
A ressaca
Muito pior por lembrar do que disse, mas o que disse também é parte do que sou, do que quero. Muito pior por assumir o peso sóbrio do que disse.
terça-feira, 15 de julho de 2014
Hoje convencionou-se ser o dia do homem. Então, por pura admiração, quero dar minha contribuição ao dia.
Levei um tempo pra descobrir a beleza do homem. Isso porque parece-me que a poética feminina é mais ressaltada dentro de versos, ou se encaixam melhor entre as estrofes que falam do seu cheiro, da sua fragilidade, da mãe, da mulher contemporânea. O homem é mais quadrado e não entra tal facilmente nas estrofes.
Eis, então, do que gosto. Gosto dos ombros largos, das barbar mal-feitas, do suor. Gosto do jeito simples, das decisões fáceis, das coisas retas. Homem tem um jeito tão mais fácil de lidar com a vida.
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