sábado, 10 de novembro de 2012

Seu corpo era pequeno. O espaço compreendido entre o pescoço e as pernas era menor do que os homens que ela costumava gostar. Não tinha ombros largos, e os pelos que se espalhavam pelo seu corpo não lhe agradavam. No entanto, ao acordar naquela manhã e ver seu pequeno corpo estendido pela cama, exalando um cheiro que era só dele, sentiu uma grande paz. Ela costumava orar todas as manhãs, lendo alguns páginas de um livro espiritual. Mas naquela manhã, era como se a leitura não fosse necessária. Ele, seu corpo, seu cheiro, o vento que batia suavemente no corpo dela e os pássaros que cantavam na sua janela, já era uma oração.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Depois de um longo tempo dentro do carro, conversando bobagens, ela sentiu vontade de compartilhar com ele a dor que estava sentindo dentro do peito: - Preciso te contar algo que eu estou sentindo. - Pode dizer. O que é? - Sinto que acabou! - Como assim? Do que você tá falando? - De nós dois! Agora eu consigo sentir com mais inteireza que eu e você podemos ser amigos, e deixar de lado algum tipo de relacionamento. - Ah, mas do futuro a gente não sabe! - Mas eu sinto isso! Sinto que quero algo que você não pode me dar! Quero me sentir confortável em amar alguém, me sentir livre até mesmo pra errar ou falar besteiras. É uma pena, mas sinto que acabou. Uma dor enorme fez sentir o vazio de sua escolha! Ele tinha sido, por muito tempo, o conforto e a liberdade que tanto ela almejava agora. Mas o passado não é presente, e o futuro é uma incerteza.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Eu, Artur e Jeneci




"De: Caroline
Para: Artur

Bom dia!
Sonhei com o Marcelo Jeneci! No meu sonho ele tocava na sacada da casa da minha vó! Lá em baixo todo mundo cantava junto "dar-te-ei". Depois eu pedia pra tirar uma foto com ele e com a Laura e eles me chamavam de "Carolzinha", num clima de intimidade como as minhas orientadoras do estágio fazem. Comecei a conversar com o Jeneci e ele me falava que não estava bem, que estava triste. Eu não respondi nada, só olhei pra ele e tentei confortá-lo no silêncio.
Acho que preciso fechar essa gestalt de falar com o Jeneci!"

Semana passada, no dia 20, eu voltava de uma semana incrível no Rio de Janeiro. Sabia que mesmo depois de segundos longe do Artur eu já sentiria falta dele. E foi assim.
Na escala que meu vôo fez em São Paulo comecei a escutar o álbum "Feito pra Acabar", do Marcelo Jeneci, porque meu amor pelo Artur tinha como pano de fundo músicas como "Felicidade", "Tempestade" e "Pra sonhar".
Me distrai olhando a janela, e quando voltei minha atenção para as pessoas que entravam no vôo tive a grande surpresa de ver que ele, Marcelo Jeneci estava entrando. Olhei para o lado e enxerguei a Laura também!
Uma alegria muito grande tomou conta de mim.
Então comecei a lembrar da minha conversa com o Artur no dia anterior. Falei que iria ver o show do Marcelo Jeneci no Se Rasgum em Belém, e o Artur me falou: "Ah, manda um recado pra Laura! Diz que ela é muito talentosa!".
Ao lembrar de tudo isso, ri com a possibilidade desse recado se tornar real. Mas durante a viagem não tive a coragem de dar alguns passos em direção ao Jeneci, e contar pra ele que sua música me tocava de uma forma incrível, e agradecê-lo pelas composições!
Cheguei em casa e não descansei até a hora de ir para o Se Rasgum.
Haviam poucas pessoas no show do Jeneci, mas sei, sem sobra de dúvidas, que todos que estavam ali estavam ligados de alguma forma com tudo que este cantor resolveu escrever num papel e transformar em algo que chamamos "música". Lembro de ter visto vários casais se abraçando. Meu professor Emanuel, que no seu casamento tocou, timidamente "Dar-te-ei," também estava lá abraçado com sua esposa. Todos juntos, ali, formavam um clima agradável de amor.
Chorei! Minha primeira lágrima foi tímida, mas depois, com o passar das músicas, foi tomando forma e aumentavam na mesma proporção que o amor que sentia pelo Artur ia pulsando no meu peito junto com a saudade!
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Passado alguns dias depois do show, fiquei pensando que tudo isso que vivi devia ser dito de alguma forma pra você.
O Artur diz que é muito gratificante pra um músico ser reconhecido pela sua música e eu fiquei pensando o quanto eu deveria ter dito isso e não disse!
Só quero que saibas que sua música é importante pra mim. Te agradeço por elas!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Asas de borboleta



"Meu coração quase partiu em dois. Era assim que sentia ele batendo no meu peito, tão rápido e tão forte, como se, em frações de segundo tivesse criado asas de borboleta e agora batia rapidamente e se preparava para o voo. Um voo longo, para fora do meu peito"

segunda-feira, 28 de março de 2011

Imaginando uma fotografia




"Eu ando a pé porque é assim que se anda" (Música do falecido Ultraleve)

Hoje resolvi dispensar meios fora do corpo e andar! Me senti independente, e talvez por isso tenha gostado tanto de me despir da preguiça e andar por um longo caminho. Percebi novas coisas sobre essa caminho que parecia tão clichê. Descobri uma venda de tacacá, vi um senhor parado, fumando um cigarro e pensando na vida. Ele estava numa passarela. Enquanto eu passava por ela, e antes de me deparar com esse senhor, fiquei pensando no quanto a vista dali era bonita. Era diferente olhar os carros vindo na sua direção e saber que você não vai morrer por causa disso. Tive muita vontade de ficar parada alí, olhando esse movimento, mas como as passarelas são consideradas perigosas, segui em frente. Foi ai que eu vi esse senhor, tão despreocupado. Deu vontade de tirar uma fotografia em preto e branco.
Numa moldura:
Uma fotografia em preto e branco. Um senhor de meia idade, com os cabelos grisalhos e com um cigarro na mão, sem pressa de terminar, olhando o movimento dos carros numa vista privilegiada da Almirante Barroso.
Uma fotografia lindíssima!
Se eu pudesse acrescentar mais algum elemento colocaria um clima frio, com vento levemente gelado passando pelo seu rosto e fazendo seu olhar lagrimar e um cheiro de lavanda.

sábado, 26 de fevereiro de 2011




Fácil seria escolher uma frase de tantas outras que existem em músicas por ai para tentar explicar o que vivi, mas há horas me pego pensando sobre tudo e não consigo chegar a um consenso.
Hoje eu precisava pegar aquele ônibus, e com uma paciência nunca sentida antes, dar boa noite ao motorista, sentar do lado da janela, encostar a cabeça e sentir o vento passar pelo meu rosto e pensar...e pensar em que? O que devia ter sido pensado hoje?
O carinho me marcou tanto que por algumas horas fiquei pensando sobre ele, as vezes com um certo receio de me confundir. Confundir? Ficou tão claro: eu te amo! Sim, é isso, te amo! Há tantas formas de se amar alguém, e pra nós ficou reservado a melhor parte, o amor livre, o amor amigo.
O difícil é transformar sentimento em coisas explicáveis porque ele, por não ser coisa, acaba ficando na memória como um momento. E foi isso que eu senti: cheiro, aconchego e amor.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A paixão segundo C. S.

" Por enquanto estou inventando a tua presença, como um dia também não saberei me arriscar a morrer sozinha, morrer é do maior risco, não saberei passar para a morte e pôr o primeiro pé na primeira ausência de mim - também nessa hora última e tão primeira inventarei a tua presença desconhecida e contigo começarei a morrer até poder aprender sozinha a não existir, e então eu te libertarei. Por enquanto eu te prendo, e tua vida desconhecida e quente está sendo a minha única íntima organização, eu que sem a tua mão me sentiria agora solta no tamanho enorme que descobri. No tamanho da verdade?
Mas é que a verdade nunca me fez sentido. A verdade não me faz sentido! É por isso que eu a temia e a temo. Desamparada, eu te entrego tudo - para que faças disso uma coisa alegre. Por te falar eu te assustarei e te perderei? mas se eu não falar eu me perderei, e por me perder eu te perderei.
A verdade não faz sentido, a grandeza do mundo me encolhe. Aquilo que provavelmente pedi e finalmente veio no entanto me deixar carente como uma criança que anda sozinha pela terra. Tão carente que só o amor de todo o universo por mim poderia me consolar e me cumular, só um tal amor que a própria célula-ovo das coisas vibrasse com o que estou chamando de um amor. Daquilo a que na verdade apenas chamo mas sem saber-lhe o nome.
Terá sido o amor o que vi? Mas que amor é esse tão cego como o de uma célula-ovo? foi isso? aquele horror, isso era amor? amor tão neutro que - não, não quero ainda me falar, falar agora seria precipitar um sentido como quem depressa se imobiliza na segurança paralisadora de uma terceira perna. Ou estarei apenas adiando o começar a falar? por que não digo nada e apenas ganho tempo? Por medo. É preciso coragem para me aventurar numa tentativa de concretização do que sinto. É como se eu tivesse uma moeda e nçao soubesse em que país ela vale.
Será preciso coragem para fazer o que vou fazer: dizer. E me arriscar a enorme pobreza da coisa dita. Mal a direi, e terei que acrescentar: não é isso, não é isso! Mas é preciso também não ter medo do ridículo, eu sempre preferi o menos ao mais por medo também do ridículo: é que há também o dilaceramento do pudor. Adio a hora de me falar. Por medo?"

Fragmento da Paixão segundo G.H. Comecei a grifar as frases que diziam exatamente algo sobre mim e acabei grifando esses cinco parágrafos.