A voz começou a ficar cada vez mais baixa, não por vergonha ou por vontade de não falar tudo aquilo, mas porque o que se dizia era tão importante e a tocava tanto que o nó na sua garganta e a vontade iminente de chorar obrigavam-na a diminuir o tom de voz, como se tudo aquilo lhe empurrasse para dentro de si.
Aquela sessão não fora diferente das outras, há tempos sentia que aquele discurso retilíneo e coerente escondia dentro de si as reais causas de toda aquela dor que sentia.
A sensação de estar incompleta era tamanha, e já fazia tanto tempo, que havia se acostumado com a idéia de ser só no mundo. Um lugar seguro. Porém, começar a falar dessa solidão abriu espaço para relembrar cada pedaço perdido. Foi quando começou a chorar.
Colocou a mão no peito, como que tentando acalmar seu coração, que agora batia descompensadamente.