quarta-feira, 11 de junho de 2014

1º dia, da arquitetura

Gosto do torto. Parece-me que apenas no desajustado, incoerente, mal-feito, encontro beleza. É como se meus olhos, repousando na Catedral recém-restauradas (Catedral da Sé), com suas curvas perfeitas, não encontrassem a súplica da ajuda. Gosto do desgosto, do lado oposto, do irregular. Árvores brotando no topo daquelas construções, as janelas quebradas, pra mim, revelam a beleza do inesperado. Sim! É isso! É do inesperado que gosto, a beleza sem querer ser, apenas sendo e deixando aos olhos do expectados a tradução.

Sobre ela e o tempo

Não precisava de espelho para olhar-se. Não conseguia. A imagem que se refletia naquele objeto já ecoava no conceito que fazia de si. Bruxa. Bruxa e magra. Bruxa por conta dos cabelos que, com a idade, não tomavam mais uma forma harmoniosa. Estavam secos. Ela estava seca. Sua pele não era mais a mesma. Ao enxugar-se percebia que mesmo a grande quantidade de água usada durante o banho não era capaz de hidratá-la. Essa mesma pele ressecada marcava-lhe o interior, porque sua falta de tecido adiposo revelava suas veias, grandes e ressaltadas, além de cobrir e desenhar o contorno dos ossos. Mas de todas as marcas que o tempo havia lhe deixado o maior e mais expressivo era o olhar. Cansado. Cansado e vazio. Com dificuldade reagiam com alegria ou se banhavam de lágrimas diante de alguma notícia. Sua pele era a única coisa que a revelava, mas eu queria mesmo conhecê-la pelo olhar. Caroline Maciel

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Amor de flor

Vou encher de flores meus caminhos, e com passos irregulares vou caminhando. Quem sabe assim, na curva, te encontre novamente pra de novo rir nos teus braços.

sábado, 20 de abril de 2013

Tudo nele é bonito! A cor da sua pele, os pelos no rosto, o jeito como o cabelo se movimento quando encontra uma corrente de ar, as suas costas e até mesmo o jeito como a calça fica folgada na parte de trás. Tudo nele me faz querer ficar perto. O modo como fala, os assuntos que elege, o seu cheiro. Tudo nele me encanta.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Amo despedindo-me. É como se descobrisse o sentimento inteiro do amor apenas na despedida, na impossibilidade, no ponto final. Amo e logo digo que é impossível amar, por falta de futuro. Amo, recordo-me dos longos e bons momentos vividos e logo percebo que estes já passaram. Amo e despeço-me.

sábado, 10 de novembro de 2012

Seu corpo era pequeno. O espaço compreendido entre o pescoço e as pernas era menor do que os homens que ela costumava gostar. Não tinha ombros largos, e os pelos que se espalhavam pelo seu corpo não lhe agradavam. No entanto, ao acordar naquela manhã e ver seu pequeno corpo estendido pela cama, exalando um cheiro que era só dele, sentiu uma grande paz. Ela costumava orar todas as manhãs, lendo alguns páginas de um livro espiritual. Mas naquela manhã, era como se a leitura não fosse necessária. Ele, seu corpo, seu cheiro, o vento que batia suavemente no corpo dela e os pássaros que cantavam na sua janela, já era uma oração.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Depois de um longo tempo dentro do carro, conversando bobagens, ela sentiu vontade de compartilhar com ele a dor que estava sentindo dentro do peito: - Preciso te contar algo que eu estou sentindo. - Pode dizer. O que é? - Sinto que acabou! - Como assim? Do que você tá falando? - De nós dois! Agora eu consigo sentir com mais inteireza que eu e você podemos ser amigos, e deixar de lado algum tipo de relacionamento. - Ah, mas do futuro a gente não sabe! - Mas eu sinto isso! Sinto que quero algo que você não pode me dar! Quero me sentir confortável em amar alguém, me sentir livre até mesmo pra errar ou falar besteiras. É uma pena, mas sinto que acabou. Uma dor enorme fez sentir o vazio de sua escolha! Ele tinha sido, por muito tempo, o conforto e a liberdade que tanto ela almejava agora. Mas o passado não é presente, e o futuro é uma incerteza.