sexta-feira, 11 de julho de 2014
quinta-feira, 10 de julho de 2014
Mostrar-se
Não sei ao certo se é esta a denominação para o movimento que ando vivenciando. Talvez eu pudesse escolher outros títulos tão verdadeiros quanto. Olhar-se. Descobrir-se. Compreender-se. Expressar-se. O fato é que ando me compreendendo mais, desvelando-me. Sei o que quero, como quero, a intensidade que quero. Desejo a liberdade do semi-nu, porque também não quero o nu. Desejo o desejo do outro, mas só se ele me desejar por seu próprio querer. Não o quero por pressão, por cálculos. Quero observar o movimento da onda, e entrar nela, se ela me quiser também. A natureza também tem desejo. Quero a montanha russa, a lupa de visão sensível, a cachoeira, a flor rosa e amarela. Sou tudo isso.
segunda-feira, 30 de junho de 2014
Tudo dói. Dor visceral. Um grito mudo corroe meu interior. Me agacho e grito. Grito, mas é só pra mim. Como ontem, o som alto do curimbó preenchia o espaço e eu, como observadora, encontrava irmãos de dor. Um homem e uma mulher, dançavam e tentavam esboçar um sorriso, porque a vida é de sorrir, mas a vontade era de grito. Grito e choro.
sábado, 28 de junho de 2014
Email pro Michel
Hoje eu vi um parto, não foi da minha afilhada (aliás, contei que vou ser madrinha?!), foi num programa na GNT. Ainda tô com o nó preso na garganta. Sabe quando você consegue perceber todo o amor que uma situação envolve? Eram gêmeos, do jeito que eu queria ter, e quando o pai foi mostrar o bebê pros avós, tios e tias pelo vidro do berçário, todos abriram um sorriso enorme e os olhos encheram de lágrimas. Aqueles seres, tão pequenos, vieram ao mundo pra tornar tudo grande. A espera grande, a ansiedade grande, o carinho grande, um amor grande, multiplicado por dois.
O que é bom reverbera
Cheguei na metade. As pessoas já pareciam estar num ritmo próprio, ou melhor, próprio do lugar porque eu, chegando atrasada, ainda me sentia fora - era eu, e eles.
Sentei num lugar qualquer longe do olhar de todos, não queria atrapalhar, chamar atenção, ser vista. Mas, como quase que um convite sem a oportunidade de negar, entrei na roda. Fechei meus olhos e não tive vergonha - as vezes deixo de fazer o que eu quero por vergonha. Senti seu ritmo. Todos batiam de formas diferentes mas eu conseguia perceber, era o coração. Cada um com seu coração, cada coração batendo com substâncias diferentes. O que estava na minha direita começou com as mãos e o chão de madeira. Outro lá no canto também usava as mãos e madeira, mas o ritmo era diferente. Eu, ainda com meus olhos fechados, batia palmas. Eu, ainda com meu olhos fechados. Eu, ainda com meus olhos fechados me lembrei de tanta coisa. Lembrei tanto que por um milésimo de segundo senti a presença do Michel ao meu redor. Era o seu cheiro e o cheiro do Rio de Janeiro, aquele cheiro bom de "pode fazer tudo". O som do metrô, o vento frio que passava pela gente naqueles dias de chuva de dezembro, o quatro só nosso, os cafés da manhã que viravam almoço por acordar perto do meio dia. Aquele cheiro de tudo entrou rasgando minhas narinas. Doeu. Chorei. E quis mais. Tudo que é bom, um dia, reverbera.
quinta-feira, 26 de junho de 2014
quarta-feira, 25 de junho de 2014
Ainda sobre a poética
Ainda sobre a poética, percebi agora, nesse momento entre a consciência e o sono - nesse momento em que as idéias fugitivas da realidade tomam liberdade - percebi que minha vontade de fotografar não pode ser dada a qualquer corpo. Ela, a fotografia, tem sua poética, e a poética tem seu personagem. Meu nú e cigarro.
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