quarta-feira, 25 de junho de 2014

Queria me debruçar sobre a página e conseguir deixar a narrativa fluir como a de Clarice, mas vez ou outra esbarro na finitude da coisa dita. Passando e repassando as frases na minha cabeça, soam-me como ecos, tudo faz sentido e tem forma. Mas tentando transformar o nó na garganta em poética, porque ainda preciso ter uma poética, esbarro. Ontem falávamos sobre a poética de um exercício de Tarcísio. Ele próprio já é uma poética, mas vou tentar exemplificar em palavras. Falávamos sobre a poética e fiquei pensando sobre o que ela significa. Acho que seria como o significado da coisa, aquele que a traduz através da sua beleza mais própria. Pra mim há poética na chuva, não pela sua constituição física de água, nem a forma como o processo do clima transforma vapor em chuva, mas...aquelas gotas caindo...o cheiro da terra ficando molhada...é...tá vendo? esbarro. Não consigo definir a poética da chuva, mas pra mim ela tem sua poética, e é linda, tão própria, e tão minha, que não consigo transformá-la em outra coisa.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Pelo contrário

Não é pelo medo de me mostrar, já estou o fazendo. Também não é uma forma de dizer que gosto, porque também não é isso. Mas no ato simples de se dirigir pra explicar, fica implícito o querer. Eu quero, claro que quero, mas é um querer quase não querendo. Não que seja descompromissado, mas, quase que, livre. Eu juro, é tão verdade! Mas parece que no impulso de desdizer, vou acabar dizendo. Mas não é isso, pelo contrário.

Sobre mim

Nascida no dia de Santa Cecília, padroeira dos músicos. Nem santa,nem Cecília, nem música.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Tramando

Era um cigarro. Tinha o corpo fino, longo, mas não cabia entre os dedos, escapava-lhe. Na ponta, a cabeça queimava em cinza de pensamentos, não, ideias, não, acordes. A boca larga, os lábios acompanhando a proporção, tinha gosto de nicotina.

1º dia, da arquitetura

Gosto do torto. Parece-me que apenas no desajustado, incoerente, mal-feito, encontro beleza. É como se meus olhos, repousando na Catedral recém-restauradas (Catedral da Sé), com suas curvas perfeitas, não encontrassem a súplica da ajuda. Gosto do desgosto, do lado oposto, do irregular. Árvores brotando no topo daquelas construções, as janelas quebradas, pra mim, revelam a beleza do inesperado. Sim! É isso! É do inesperado que gosto, a beleza sem querer ser, apenas sendo e deixando aos olhos do expectados a tradução.

Sobre ela e o tempo

Não precisava de espelho para olhar-se. Não conseguia. A imagem que se refletia naquele objeto já ecoava no conceito que fazia de si. Bruxa. Bruxa e magra. Bruxa por conta dos cabelos que, com a idade, não tomavam mais uma forma harmoniosa. Estavam secos. Ela estava seca. Sua pele não era mais a mesma. Ao enxugar-se percebia que mesmo a grande quantidade de água usada durante o banho não era capaz de hidratá-la. Essa mesma pele ressecada marcava-lhe o interior, porque sua falta de tecido adiposo revelava suas veias, grandes e ressaltadas, além de cobrir e desenhar o contorno dos ossos. Mas de todas as marcas que o tempo havia lhe deixado o maior e mais expressivo era o olhar. Cansado. Cansado e vazio. Com dificuldade reagiam com alegria ou se banhavam de lágrimas diante de alguma notícia. Sua pele era a única coisa que a revelava, mas eu queria mesmo conhecê-la pelo olhar. Caroline Maciel

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Amor de flor

Vou encher de flores meus caminhos, e com passos irregulares vou caminhando. Quem sabe assim, na curva, te encontre novamente pra de novo rir nos teus braços.